Sobre bandeiras – parte 1

por inquietar

Um ponto em comum em todas as marchas é o grito “sem partido” sempre que alguém levanta uma bandeira de uma organização política ou mesmo de um movimento social.

Apesar de achar bacana um movimento apartidário, que se pretende livre e independente ouvi esses gritos com um aperto no peito. Um movimento que se pretende democrático não pode cassar o direito de alguém de expressar uma ideia pacificamente.

Imaginem a seguinte situação: uma mocinha levanta um cartaz pedindo “não ao estatuto do nascituro” aí toda a marcha se vira para ela e grita “abaixa! Abaixa, o protesto é sobre tarifa de ônibus”. Ou então o rapazinho chega toda faceiro com seu moletom da GAP e seus tênis adidas e todo mundo grita “Tira, tira, que o movimento é de trabalhador, não é de burguesinho”. Eu iria embora na hora, porque um movimento que não permite a diversidade está mais próximo do fascismo do que a revolução. 

Mas como impedir que os partidos se apropriem do movimento e saim por ai dizendo que as 200.000 pessoas estavam na rua por mérito deles? Acredito que não tenha como. Eu posso postar no facebook que os 40.000 da Antônio Carlos estavam lá para comemorar o meu aniversário e não é crime. É uma estupidez tremenda, certamente ninguém ira acreditar. Aliais o que me impede de postar uma sandice dessas é a certeza de que ninguém irá acreditar e que no final dos contas eu daria um papel ridículo. Então, minhas sugestões para impedir que partidos oportunistas tomem conta do movimento são as seguintes:

1) Documentar (com fotos, vídeos, textos, printscreen e depoimentos) ao máximo o movimento de forma que seja possível confrontar – com dados – a versão partidária da história.

2) Discutir – educada e insistentemente – sempre que algum filiado a um partido político reivindicar para si qualquer mérito indevido.

3) Ocupar – com cânticos, cartazes, faixas – o espaço da manifestação, diminuindo a influência dos filiados ao partido e dando cara nova para o movimento. Até porque, gente, as palavras de ordem do PSTU são chatas demais!

Não precisa baixar a bandeira dos partidos. O que elas simbolizam é bom: diversidade politica. Só precisam mostrar que o movimento é maior que meia duzia de bandeiras vermelhas.

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