Tropa de elite 1 – José Padilha

por inquietar

Sinopse: 1997. O dia-a-dia do grupo de policiais e de um capitão do BOPE (Wagner Moura), que quer deixar a corporação e tenta encontrar um substituto para seu posto. Paralelamente dois amigos de infância se tornam policiais e se destacam pela honestidade e honra ao realizar suas funções, se indignando com a corrupção existente no batalhão em que atuam.

Meu comentário sobre o filme: Quando o jornal nacional anunciou que o o filme tinha vazado e estava sendo pirateado antes mesmo de chegar aos cinemas eu não dei muita importância. Um filme sobre uma fação da polícia carioca não parecia muito interessante. Na época eu acompanhava o blog da Soninha e lembro que ela postou trechos da monografia de um policial que pesquisou a tropa – e que foi uma das fontes de inspiração para o filme. Os trechos falavam da brutalidade do treinamento, refletiam sobre a necessidade de tanta violência. Li os trechos, fiquei horrorizada, e achei que não precisava ver o filme. Então o filme estourou, por semanas (meses?) só se falava nele. Devo ter lido dezenas de análises antes de chegar ao filme em si. Porque eu só fui ver esse filme quando ele passou na globo.

Um dia eu ainda vou sistematizar num texto todos os meus pensamentos a respeito desse filme e principalmente das discussões que derivaram dele. O filme – enquanto obra de arte – não tem nenhum problema. Possui bons atores, executando personagens bens construídos, numa trama bem estruturada (ainda que com uma narrativa não-linear). Lembro de ter lido uma critica – que eu achei infundada – reclamando da estrutura da história que não permite saber quem é o protagonista (parece que o capitão é apenas um narrador e que o protagonista é o Matias, mas no decorrer do filme o espectador descobre que o protagonista é o capitão mesmo).

Já às discussões que o filme deu origem, me impressionam até hoje. Porque eu li os relatos de abuso e tortura na tropa de elite e fiquei horrorizada com aquilo. E as pessoas veem o filme, com todas aquelas cenas brutais, e a discussão gira em torno se é certo ou errado bater em playboy maconheiro que financia o crime organizado? Ah, sociedade, peraí, quer dizer que para uma metade da população está tudo bem brutalizar os policiais a ponto deles não se importarem em matar e torturar, desde que eles só matem e torturem bandidos. E para outra metade da população idem, desde que o tráfico de entorpecentes leves não seja mais considerado crime. Ninguém ficou chocado com a violência em si? E ainda tiveram os que afirmaram que o filme era fascista…

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