Amarelo manga – Cláudio Assis

por inquietar

SINOPSE: Lígia é uma mulher desencantada que trabalha num bar, num subúrbio de Recife e, quando o dia termina, só lhe resta voltar ao seu quarto, em um anexo do bar. Ao mesmo tempo, Kika, que é muito religiosa, está freqüentando um culto enquanto seu marido Wellington, que é um açougueiro, elogia as virtudes da sua mulher enquanto usa uma machadinha para fazer seu serviço. Apesar de elogiar a mulher, Wellington tem uma amante, que quer que ele tome uma decisão. No Hotel Texas, que também fica na periferia da cidade, trabalha Dunga, um gay que é apaixonado por Wellington. Um hóspede do Hotel Texas, Isaac, sente um grande prazer em atirar em cadáveres, que lhe são fornecidos por Rabecão, um funcionário do IML. Isaac conhece Lígia no bar e se interessa por ela.

Meu comentário sobre o filme: Não lembro exatamente quando eu vi esse filme. Não sei se foi no centro de cultura ou se aluguei e assisti em casa. Lembro que quando foi lançada eu fiquei alvoroçada para assistir em função dos comentários que o filme estava recebendo. Faz tempo que eu assisti (nunca revi), mas algumas cenas permanecem vivas na minha memória a saber: a cena inicial no açougue, a discussão de Ligia e Isaac no bar, a conversa entre Isaac e um funcionário do IML a respeito de um cadáver, a cena final de Ligia sozinha no bar, e a famigerada cena da escova da kika. Estranhamente, nenhuma cena do Matheus Nachtergaele (de quem eu sou fã a ponto de saber escrever o sobrenome dele sem olhar no google) ficou na memória. Lembro de passagens dele no filme, mas nada relevante. 

O filme é bem cru, com personagens decadentes e desesperados. O tom pastel acompanha a fotografia do filme, bem como cenas cotidianas (preparação de comida, limpeza, trabalho), o que confere um tom naturalista ao filme. Não lembro da trilha.

O enredo é meio depressivo; os personagens começam mal e terminam pior. A exceção – na minha opinião – é a Kika. Ao contrário dos outros personagens que veem o mundo desabar e acabam desabando com ela, a Kika age diferente. Ela vai além do seu próprio mundo, vai além de si mesma. Se liberta. Para mim, é isso o que significa a cena da escova. Daí, que eu nao fiquei deprimida com esse filme – teve catarse no final. De qualquer é um filme muito virtuoso, de um diretor talentoso e que já faz parte da história do cinema nacional.

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