A concepção – José Eduardo Belmonte

por inquietar

SINOPSE: Alex (Juliano Cazarré), Lino (Milhem Cortaz) e Liz (Rosanne Holland) são filhos de diplomatas que vivem juntos em Brasília num apartamento vazio, sem os pais e cheio de quinquilharias. Trocam afetos variados alheios ao mundo. Entediados, tentam viver cada dia como se fosse único. O processo radicaliza quando X (Matheus Nachtergaele), uma pessoa sem nome e sem passado, entra na casa e propõe ir sem freios na idéia de viver apenas um dia.

Meu comentário sobre o filme: Eu me apaixonei pelos filmes do Belmonte num festival de curtas do palácio das artes. Tinha marcado com alguns amigos de ir assistir um longa que passava no inicio da noite, mas acabei chegando muito cedo no cinema. Sozinha, entrei numa sessão de curta-metragens que estava começando. Era uma retrospectiva dos filmes do Belmonte (acho que na época ele ainda não tinha feito nenhum longa). Fiquei completamente apaixonada – da sessão que devia ter uns 10 filmes, só um foi chato. Guardei o nome do rapaz e passei a esperar ansiosamente por novas obras dele. 

O filme me empolgou bastante. Na época eu morava em Brasília e estava tentando entender como aquela cidade funciona – em termos sociais e espirituais, os endereços eu até que entendi bem rápido. Tinha acabado de sair de casa em busca de sei-la-o-que e o filme caiu como uma luva nos dois aspectos. Trata-se de uma reflexão sobre Brasília, e também de um retrato sobre uma juventude.

Confesso que eu sai do cinema sem muita certeza do que tinha visto – apesar da abundancia de personagens e de muitas cenas “vazias” o filme tem uma trama principal a desenvolver. E eu sou ruim com rostos, não estava familiarizada com a maior parte do elenco e há atores parecidos. Posto que eu confundia personagens como uma tia velha assistindo a um filme coreano. Só fui entender mesmo o final revendo o filme.

Mesmo assim as tramas paralelas que eu captava ou a sensação de liberdade e nilismo que o filme evoca foram suficientes para me conquistar. Destaque especial para a passagem de Liz em São Paulo – ela quer saber se é capaz de manter a filosofia concepcionista longe dos amigos e da proteção do apartamento. Impossível eu não me identificar com isso na época; impossível eu não desejar ser essa personagem. 

O filme tem um gosto meio amargo no final. O estilo de vida do grupo era insustentável por vários motivos e a coisa acaba bem mal para – quase – todo mundo. Consequências do radicalismo juvenil – não tinha como eu não vibrar e pirar nesse filme. Mas não é um filme que me deixou depressiva – ao contrário até, me fez sentir viva. Em sintonia com sei-la-o-que. Seja como for, vou morrer amando esse filme.

E vale um aviso: tem muitas cenas de pornografia. Não me soaram pedante – fazem sentido na trama. Mas convém ter cuidado se for assistir com pais, avós ou pessoas sensíveis.  

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