Viajando na maionese – Prometheus – Pontos fracos – alerta de spoiler

por inquietar

O filme “prometheus” conta a historia de uma nave que – guiada por um casal de cientistas – vai a lua de um planeta distante buscar os criadores dos seres humanos. É também um filme de Ridley Scoot que se passa no mesmo universo da trilogia Alien. Como qualquer filme tem pontos fortes e fracos. De forma geral eu gostei, especialmente do polêmico final. Não tem força para entrar num top 10 (“alien – o oitavo passageiro” figura no meu top5), mas é um bom entretenimento. Nota 7.

Pontos fracos

– Personagens rasos. Para mim é incompreessível porque os produtores/diretores optaram por tantos personagens. Tem um monte de gente perambulando pela nave que morre sem dizer mais que uma frase. E nem é uma morte legal, do tipo que te deixa tenso ou impressionado. Teria sido mais interessante diminuir o número de personagens e caprichar nas falas dos figurantes. Frases densas, bem sacadas, dão ao espectador a sensação de conhecer o personagem mesmo que efetivamente não conheça. Acho que aquele papo de aposta entre os dois co-pilotos foi uma tentativa de criar essa sensação. Falhou, terminei o filme sem entender direito que papo era aquele. Ou o papo do geólogo na caverna. Ou a motivação do biólogo em pegar na cobra…

– Falta de coerência dos personagens. Vamos repassar o início do filme. Um casal de arqueólogos fica super-ultra-mega-empolgado porque encontrou um desenho com cinco pontinhos numa caverna na Escócia. É um desenho velho, mas não chega a ser “o desenho”. É apenas mais uma das várias evidências que eles irão utilizar para convencer uma companhia a financiar uma expedição a um planeta desconhecido. Então eles conseguem financiamento e seguem para o tal planeta, uma viagem arriscada que dura mais de 2 anos. Chegam ao tal planeta e em menos de cinco minutos encontram uma construção-não-natural com escritos, esculturas e o corpo de um alien decapitado. E o extasiado casal de outrora esta completamente deprimido porque não havia uma comitiva de “criadores” para recebê-los!!! Sinceramente, isso não é comportamento de cientista. Se eles estavam felizes com cinco pontinhos numa caverna pela lógica deveriam estar tendo orgasmos múltiplos com uma pirâmide alienígena e um corpo para autópsia. Mas o rapaz entra na pirâmide e com toda a frustação do mundo diz “é só mais um túmulo”. Não, não era só mais um túmulo. Era “o” túmulo. Era a descoberta do século, independente de encontrar os criadores ou não. E a não ser que nesse universo seja muito comum vagar pelos planetas catalogando novas raças alienígenas e suas pirâmedes o comportamento dos cientista é completamente falho, brochante. Eles entram na caverna sem nenhum respeito, nenhuma empolgação.

– Ninguém coordena a missão da nave. Pois é, eles tem um mapa ultramoderno capaz de mostrar em tempo real a posição de cada um, de desenhar a estrutura da construção, e mesmo assim quando o biólogo e o geólogo dão um chilique e decidem ir embora eles não comunicam isso para nave e ninguém da nave acha estranho dois pontinhos se afastarem do grupo. Quando eles se perdem eles não entram em contato com a nave para pedir orientação, preferem vagar pela caverna (caverna que a dois minutos atrás eles julgavam assustadora). Daí, quando uma tempestade impede eles de saírem, os dois decidem continuar vagando por aí ao invés de parar e esperar. E pior, voltam para o lugar onde estava o alien decapitado que causou o chilique em primeiro lugar. Na boa, se queriam só matar os dois dava para inventar uma desculpa melhor né?

– Não confiam no equipamento. Sem evidência nenhum o capitão da nave conclui que a sonda está quebrada porque “ora mostra vida, ora não sempre no mesmo lugar”. Eu não confiaria a minha nave a esse cara. Não mesmo.

– Personagem age com naturalidade diante de um enorme absurdo. Eles fazem uma expedição para buscar o geólogo e o biólogo que estavam desaparecidos. Encontram apenas o corpo do biólogo. Um tempo depois o equipamento começa a pegar o monitor do geólogo e ele parece estar na porta da nave (não tem uma câmera na porta da nave?). O personagem decide abrir a porta e encontra o corpo do geólogo numa posição esdruxula e inumana. Qualquer um entraria em pânico e fecharia a porta da nave e comunicaria o capitão. Mas no filme o sujeito simplesmente vira as costas e dá de ombros. Assim, como se tivesse visto uma menininha vendendo doces. Aí o corpo levanta e ataca a galera da nave. Repito, se queriam só matar a galera da nave dava para fazer melhor né?

Pontos altos – só vou citar, num post posterior eu desenvolvo

– A ambientação está perfeita. Belos efeitos especiais, contraste divertido entre a aridez da pirâmide e a opulência da nave.

– A interpretação de Michael Fassbender como androide David está sensacional. É de longe o ponto mais alto e consistente do filmes. Garante as melhores cenas: o inicio com o androide imitando cenas de filmes antigos e utilizando dos sonhos para conhecer a tripulação da nave me lembraram de leve “uma odisséia no espaço”. O androide me passa a impressão de estar sempre no limite entre o humano e o artificial e essa tensão é muito interessante. Ele não em receio de nada – e por isso toca em tudo – mas não pode agir fora da lógica – e por isso precisa de permissão do cientista para drogá-lo com a gosma alienígena.  

– A continuação de uma metáfora presente nos filmes do alien. A trilogia alien sempre trabalhou com a dificuldade de ser mulher num ambiente masculino, abordando paralelamente a idéia de criação. Nesse filme o diretor trabalha melhor a idéia da criação sobre vários aspectos: familiar, religioso, filosófico, fazendo uso de belas metáforas visuais (como a cena do parto, ou a cena final).

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