Em segundo lugar…

por inquietar

E nasce um novo Blog! Não que isso signifique muita coisa: qualquer um pode escolher um nome e começar um. Eu mesma já fiz isso 4 vezes (contando com essa): os dois primeiros blogs morreram de fome logo depois da segunda postagem. O terceiro resistiu bravamente por um ano, ficou um ano sem receber atenção, tentei uma intervenção de emergência mas ele acabou morrendo mesmo. E é diante desse pródigo cenário que nasce o meu quarto blog.

Uma coisa que me incomodava no último blog era o nome – e por isso eu desisti de postar nele. O nome era Serpentes e Punhais na metrópole vazia. Sim, quando eu escolhi, foi de improviso. Representava algo na época – eu tenho uma tatuagem que envolve serpentes e punhais. E morava em Brasília, cidade que casa bem com a definição de “metrópole vazia”. Só que o tempo passa, as coisas mudam e ainda que eu continue com a tatuagem e sinta saudades de Brasília, não me sinto mais representada por esses ícones.

Indo além disso, precisava também encerrar essa fase. Já faz algum tempo que meus textos – e principalmente meu interesse sobre o que escrever – têm mudado. Dar um fim – mesmo que fictício – aos textos da época era importante. Textos que frequentemente não tem cara de pronto, mas nos quais eu não pretendo mexer.

E assim nasce o meu primeiro livro. Não que isso signifique muita coisa: qualquer um pode reunir uma quantidade significativa de texto autoral, juntar tudo num PDF e publicar na rede. Não é como se eu tivesse ido a uma editora ou ganhado algum dinheiro com isso. No fundo é como se eu tivesse trapaceado naquele ditado (ou coisa que o valha) “para ter uma vida completa plante uma árvore, tenha um filho e escreva um livro”. Ok, sabedoria popular taí meu livro. Árvores eu já plantei na vida, mas nunca voltei para saber se vingaram. Filhos, procure-me daqui a 10 ou 15 anos.

E agora eu posso explicar o novo título-ícone. Inquietar. Olha, eu queria mesmo “inquietude”. Mas já estava ocupado, assim como “ainquietude”, “inquietação”, “inquietações”. E o que sobrou foi o inquietar. É ruim de falar, já to prevendo:

– Qual o endereço do seu blog?
– inquietar.wordpress.com
– O que?
– i-n-q-u-I-E-t-a-r. De inquietação, inquietude. Só que em forma de verbo…
– Ahhhh
– Então, deixa eu escrever para você…
– Ah, inquietar! Porque você não falou antes?

Diga-se de passagem a culpa da confusão não é apenas da palavra. Minha dicção é péssima. Sendo mineira eu tenho um sotaque fantasma de paulista (as vezes carioca) que me persegue desde o 6 anos de idade. Sempre me perguntavam quando eu falava muito se eu era de fora. Hoje em dia fazem a mesma pergunta e a culpa recai em Brasília. “Foi lá que você arrumou esse sotaque né?”. E eu respondo “Não, lá eu incorporei o “brother” e o “oxê” ao meu vocabulário. E mudei a sílaba tônica de “xeróx” para “xérox”. Agora, esse sotaque fantasma maldito eu tenho desde que eu aprendi a falar. Desconfio que seja – na verdade – uma versão suave de língua presa”. E aí começa uma discussão interminável, a pessoa tentando me convencer que eu arrumei esse sotaque na capital federal e eu tentando provar que conheço mais sobre a minha vida que aquele indivíduo intrometido. Agora, se quiserem uma prova é só viajar para Brasília e vocês vão ver que ninguém lá fala igual paulista – exceto claro, os paulistas que por acaso vivem lá. Tem muito mais sotaque nordestino que paulistano.

Voltando ao nome do blog, outra coisa que é péssima em mim é a capacidade de dar título. Escolho sempre os piores. Quando um título é bom, é porque ele nasceu antes do texto. Inclusive, na maioria das vezes, eu só dou título sob pressão, quando vou publicar um texto ou passar para um amigo. Daí que escolher uma palavra ruim e de pouco marketing para identificar o blog não me surpreende…

Eu gosto mesmo é de significados. Buscar signos em filmes é tipo um esporte. Daí que “inquietar” pode ser um titulo péssimo, mas carrega significado. Vários.

A conexão mais evidente é com o filme “A Alegria”, da Marina Méliande e do Felipe Bragança. Eu assisti – meio sem querer – no festival de cinema de Tiradentes e foi realmente importante. O filme me sensibilizou para o lado mais belo e fantástico da vida; me religou com partes e valores que estavam adormecidos. Além de ter servido de porta para uma noite realmente mágica. Saí de Tiradentes inebriada e louca para mostrar o filme para todo mundo. Vigiei os cinemas cults de BH, mas ele nunca entrou em cartaz. Procurei o DVD para comprar e recebi um silêncio da produtora. Tentei achar para baixar, mas não rolou. Deixei para lá, qualquer dia eu dou sorte e pego passando no canal Brasil. Ou no intercine da globo. Triste é não poder reunir todos os meus amigos para mostrar esse filme. Eu sei que eles iam odiar, porque é um filme ao qual ou você se entregue ou você odeia. Só que o filme fala sobre coisas bonitas que eu nunca consegui mostrar para eles. E ainda que odiassem, eu queria ter a chance de mostrar. Então, em outra ocasião, escrevo de verdade sobre o filme. Foi no processo do filme que a palavra “inquietude” me foi apresentada, junto com “desassossego”, outro projeto da dupla.

Outra conexão mais sutil – bem mais sutil – vem com o Sandman e seus eternos. Eu sempre tive uma quantidade absurda de quadrinhos do Sandman no meu computador, mas nunca pegava para ler porque eu achava ler no computador muito ruim. Pois é, eu continuo oldschool. Aí, quando eu descobri que a biblioteca pública tinha uma prateleira de quadrinhos eu me deparei com o primeiro volume da edição definitiva e foi amor a primeira vista. Os eternos me encantaram – a idéia de sintetizar o primórdio e o essencial em um personagem. A Inquietude, como um arquétipo, foi ganhando forma. Ganhou um texto inclusive, que qualquer dia será publicado.

Existe também algo que remete a minha personalidade. Não sou do tipo hiperativo, mas não consigo sentar num cinema sem balançar freneticamente as pernas. Não sou agitada, mas não assisto a uma palestra sem roer todas as unhas e os cantinhos dos dedos. Não me sento diante de uma folha de papel sem fazer rabiscos nela. Não passo uma noite no bar sem picotar guardanapos, organizar rótulos ou formar desenhos com palitos. Em resumo, pareço quieta mas estou constantemente em movimento, buscando algo. Inquieta.

No mais, sejam todas e todos bem-vindos. Se no blog anterior a missão era passar da segunda postagem, dessa vez, o objetivo é chegar ao segundo ano de postagens. Vai ficando cada vez mais difícil, né? 😉

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